checklist

Como um checklist pode mudar os seus resultados 📝

David Sena

David Sena

Cirurgião Plástico
Autor do livro “O que você precisa saber sobre Cirurgia Plástica”
CEO GestãoDS
Investidor-anjo em health tech
David Sena

O que médicos e empreendedores podem aprender com rotinas de checagem simples?

No livro Checklist, Como fazer as coisas bem feitas (1). O médico Atul Gawande, conta a história de como as forças aliadas passaram a adotar o uso do Boeing B-17, ou “fortaleza voadora”, nas iniciativas da Segunda Guerra Mundial. E também como o emprego desse avião fez a diferença no resultado do conflito.

Em outubro de 1935, o major Ployer P. Hill decolou com o até então modelo Boeing 299. Sob o olhar de uma plateia de militares ansiosos por ver o colosso voador dominando o espaço aéreo. Com descrédito, o que eles presenciaram naquele dia foi um fracasso também colossal com a queda do avião, momentos depois de sua decolagem.

Mas como poderia um avião tão moderno, comandado por um piloto com experiência comprovada em combate. Não conseguir completar o seu voo inaugural em condições perfeitas de  equipamento, decolagem e clima?

Após analisar as causas da queda procurando as mais diversas formas de falhas possíveis. O relatório final revelou erro do piloto em não realizar as rotinas necessárias para um voo adequado e seguro. Então, a partir desse momento ficou claro a necessidade de assegurar que todas as rotinas cruciais a um voo eficaz fossem seguidas  para que erros como esse nunca mais ocorressem.

1. A simplicidade ante a complexidade

O grande desafio seria adaptar e criar rotinas que não dependessem de habilidades excepcionais e memória dos pilotos e que garantissem um voo seguro e eficaz.

Esse foi o ponto crucial para a adoção de uma rotina eficiente e simples ao mesmo tempo. A partir desse momento os pilotos foram orientados a utilizar checklists de condutas antes de cada voo.

Diferentemente do que você possa estar imaginando não era uma lista enorme de rotinas. Mas sim, checagens simples, que eram importantes demais para depender apenas da memória dos pilotos. Uma lista para verificações rápidas que coubessem em uma folha única e pudessem ser analisadas alguns segundos antes de momentos cruciais como decolagem, voo, aterrissagem e manobras em solo.

           “The definition of genius is taking the complex and making it simple.”― Albert Einstein

Apesar da grande complexidade de controlar um avião do porte do então desconhecido modelo 299. O checklist foi considerado o maior responsável por garantir o bom andamento. Pelo menos 3 milhões de quilômetros foram percorridos sem acidentes até ser considerado seguro para uso efetivo durante a Segunda Guerra Mundial.

Desde então, os voos civis também passaram a adotar os mesmos protocolos de segurança. O que preveniu certamente um grande número de acidentes.

2. O que os médicos podem aprender com aviação?

Assim como acontece na aviação, onde qualquer erro pode ser fatal. Utilizar um protocolo que minimize erros e que  tenha sua eficiência comprovada pode ser essencial para médicos e empreendedores.

Ainda no livro Checklist, Atul Gawande descreve como infecções em locais de implantação de cateteres venosos centrais eram frequentes em pacientes de unidades de terapia intensiva(UTI).

Após analisar esses dados o Dr Peter Pronovost percebeu que a maior parte das causas dessas infecções poderia ser evitada tomando cuidados simples e rotineiros de higiene. Assim, ele imaginou que se aplicasse um checklist rápido e simples assegurando que todos os passos de higiene e cuidados com a não contaminação fossem seguidos por todos os médicos, esse quadro de infecções recorrentes poderia ser mudado.

           “Those who don’t know history are doomed to repeat it.” ― Edmund Burke

Ao analisar o checklist proposto, percebe-se que são instruções óbvias e de uma certa forma desconfortantes para nós médicos. Porque dão a ideia de que vamos esquecer de lavar as mão e colocar as luvas, por exemplo.

São rotinas tão conhecidas ao procedimento como lavagem correta das mãos, vestimenta adequada, colocação dos campos cirúrgicos até a descrição do procedimento propriamente dito.

Durante o meu treinamento para cirurgião geral tive a oportunidade de inserir diversos cateteres venosos centrais. Eu me lembro que dentro dos kits existia uma pequena folha de papel com um checklist de aproximadamente cinco itens com figuras ilustrativas e uma espécie de passo a passo do procedimento.

Na época ficava imaginando se isso tinha realmente alguma validade.  Já que eu me sentia totalmente capacitado a fazer tudo o que tinha naquele papel, que mais parecia uma “listinha de padaria”. Para minha surpresa todas as vezes que ignorava a lista e fazia do meu jeito sempre pulava alguma etapa. O que na prática aumentava as chances de infecção no paciente.

Pronovost, já havia percebido esse tipo de situação há muito tempo antes de eu mesmo imaginar a possibilidade de ser médico. Quando em 2001 implantou essa rotina pela primeira vez no Hospital John Hopkin. Apesar do protocolo parecer simples, após um ano de aplicação do checklist houve uma queda significativa da incidência de infecções em cateter com permanência de 10 dias,  de 11% para zero.

Isso motivou Pronovost a estimular a adoção de checklist em outros hospitais dos EUA.  Em dezembro de 2006, escreveu um artigo completo no aclamado The New England Journal of Medicine(2) sobre os benefícios da chamada iniciativa Keystone. Nele, apontou queda nas taxas de infecção de até 66% nos primeiros três meses da adoção em hospitais participantes.

# Checklist para Empreendedores

Risk comes from not knowing what you’re doing. –   Warren Buffett

Durante o texto podemos perceber o claro benefício de adotar rotinas de checagem sistemáticas, simples e com aplicabilidade. Pilotos e médicos entenderam a importância de seguir checklists. Entretanto, os empreendedores entenderam esta importância?

Geoff Smart, autor do livro Quem?, em seu artigo “Management assessment methods in venture capital: An empirical analysis of human capital valuation”(3,4).  Analisou diversos investidores de capital de risco, como os investidores anjos por exemplo.

Ele percebeu que do ponto de vista dos investidores, existiam diversas formas de se avaliar um negócio e as pessoas que fazem parte desse negócio.

Smart classificou os investidores de diferentes formas de acordo com o seu comportamento frente ao processo de análise e escolha de em quê e quem investir.

Ele percebeu que dentre todos os investidores analisados havia um grupo que se destacava por apresentar melhores resultados. Em uma escala de até 80% de êxito de retorno sob o investimento em suas “apostas”. Esse grupo ele batizou de “comandantes de avião”. Porque utilizavam como rotina de avaliação uma  checklist de atributos que deveriam estar presentes para receber a oportunidade de investimento.

# O uso de checklists pode acabar com a criatividade?

Innovation is this amazing intersection between someone’s imagination and the reality in which they live. The problem is, many companies don’t have great imagination, but their view of reality tells them that it’s impossible to do what they imagine. – Ron Johnson

A grande verdade é que podemos não gostar de checklists. Eu achava desnecessário ter aquele papelzinho dentro do kit de cateter venoso central, ou ter que checar o nome , alergias e se a cirurgia estava correta antes de entrar no bloco cirúrgico, pois afinal era o meu paciente e eu sei quem são eles.

Contudo, a história e a ciência já mostraram para pilotos, médicos e empreendedores, que maior que o seu ego é a sua responsabilidade com seus passageiros, seus pacientes e seu dinheiro.

A verdade é que não temos o direito de brincar com a sorte por soberba ou preguiça de aplicar métodos simples e fáceis para obter melhores resultados. Se no passado pessoas extraordinárias e fora de série são as que se arriscavam a todo custo por ter o “dom” do desempenho. Hoje valoriza-se mais esses atributos para os momentos de criatividade, inovação e adaptação. Claro, depois que você já assegurou que rotinas importantes demais para serem esquecidas ou adaptadas já estão “seguras”. Eu não quero o meu piloto, médico ou meu gestor de finanças jogando “all win” com as minhas chances.

O objetivo dos checklists é exatamente libertar a mente do ordinário vital, para dar espaço de trabalho aos neurônios criarem o extraordinário exponencial. Grandes líderes sabem disso e adotam rotinas diárias na vida pessoal, no trabalho e nos negócios. Mesmo os mais excêntricos artistas e pensadores adotavam rotinas sistemáticas para poder libertar a mente para o criativo.

A lógica tanto no trabalho de médicos quanto no de empreendedores é inovar de forma simples através de soluções que já existem e se mostrem eficazes em outros segmentos.

Referências:
1. Livro: Checklist, Como fazer as coisas bem feitas, de Atul Gawande
2. Artigo no The New England Journal of Medicine: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/nejmoa061115
3. Geoff Smart, “ What makes a successful venture capitalist”(http://ghsmart.com/wp-content/uploads/2014/10/what_makes_a_vc.pdf)
4. Geoff Smart, em seu artigo “Management assessment methods in venture capital: An empirical analysis of human capital valuation”(http://ghsmart.com/wp-content/uploads/2014/10/methods_in_venture_capital.pdf)

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