⌚ Wearables: o impacto das tecnologias vestíveis

Wearables: o impacto das tecnologias vestíveis

No artigo O impacto da Internet das Coisas (IoT), discutimos diversas possibilidades que surgem ao se conectar objetos à internet. Nesse contexto os wearables são uma tecnologia exponencial que impacta diretamente ou indiretamente no dia a dia do médico.

O conceito de wearables parte da ideia da interconectividade que ocorre na Internet das Coisas só que em relação a dispositivos eletrônicos vestíveis.

Essa tecnologia possibilita que sensores em contato com nosso corpo na forma de roupas e acessórios possam se conectar com outros aparelhos ou à internet. Os exemplos variam desde relógios, colares, camisas até jaquetas inteligentes.

A ideia do wearables surge para redefinir o conceito homem-máquina. No qual o usuário veste os gadgets que permitem diversas funções e auxiliam nas necessidades do dia a dia. Desde as mais banais, como medir os batimentos cardíacos até as mais complexas como controlar a acidez do suor relacionando a concentração de ácido lático no organismo e assim, potencializar os resultados de atletas de alto desempenho.

A primeira aplicação dentro do conceito de tecnologias vestíveis que envolve gadgets surge no século XIII, quando os óculos foram inventados. Mais tarde, no entanto, os primeiros relógios portáteis foram criados no século XVI.

No entanto, a popularidade se deu em 2002 com o fone de ouvido Bluetooth que possibilitava ouvir música sem  a necessidade de fio conectando os dispositivos.

“À medida que a Internet das coisas avança, a própria noção de uma linha divisória clara entre a realidade e a realidade virtual torna-se confusa.  Às vezes de formas criativas.” – Geoff Mulgan

Entre 2006 e 2013, dentro dos laboratórios da Google, inicia-se o processo de desenvolvimento do Google Glass. Ele surge com a promessa de uma interface entre usuário e dados de forma orgânica e intuitiva. Apesar do alto potencial de benefício ao mercado global, em especial ao setor médico, como apoio a procedimentos cirúrgicos e a relação médico-paciente. Teve seu uso limitado por diversas questões de privacidade e usabilidade.

Em 2014, somos apresentados ao Apple Watch. Um relógio que prometia ser muito mais que apenas uma interface de interação com o iphone. A indústria, no entanto, continuou se expandindo em um crescimento exponencial, na qual  a cada inovação a multiplicação é evidente.

1. Possibilidades ilimitadas

Para a Euromonitor, empresa que realiza pesquisas no setor de wearables. Esse tipo de gadget se tornará o produto mais consumido e vendido do mundo, depois dos smartphones. A expectativa é que até 2020, o número de unidades exceda os 305 milhões, com taxa de crescimento anual composta de 55%.

Recentemente a Apple lançou o “Apple Heart Study (AHS)”. Um estudo de pesquisa conduzido para avaliar se o Apple Heart Study App pode usar dados coletados no Apple Watch. Para identificar ritmos cardíacos irregulares, incluindo aqueles de condições cardíacas potencialmente graves, como fibrilação atrial. Até 500.000 pessoas podem participar do estudo de forma espontânea e os dados de ritmo cardíaco são coletados e analisados em tempo real e comparados.

Se você parar para pensar é um estudo global em tempo real, com resultado imediato que só está sendo possível devido a tecnologia dos wearables, internet das coisas(IoT) . Também, é claro, o desejo de abocanhar uma parcela dos mais de 3 trilhões gastos em saúde só nos EUA. Logo abaixo, compartilho o registro no clinical trials do estudo.

O fato da Apple conseguir liberação do FDA,  para considerar o apple watch um sistema avançado de eletrocardiograma e reconhecer a sua habilidade de detectar e notificar um ritmo cardíaco irregular, é no mínimo algo disruptivo.

Ao conseguir a liberação de uso pelo FDA a Apple passa a completar as etapas dos 6D descritas por Peter Diamandis. Conforme discutimos no artigo Como entender o ciclo das tecnologias exponenciais.

“Quando falamos sobre a Internet das Coisas. Não é apenas colocar tags de Identificação por radiofrequência em algo idiota, então nós, pessoas inteligentes, sabemos onde essa coisa estúpida está. Trata-se de incorporar inteligência para que as coisas fiquem mais inteligentes e façam mais do que se propuseram fazer.” – Nicholas Negroponte

Ao incluir um equipamento até então de uso exclusivo médico em um produto comum como um relógio(desmaterialização). Dando acesso a qualquer um que tenha o gadget (democratização) e que possua uma conta na apple store para download gratuito do aplicativo (desmonetarização). A Apple inicia o processo de consolidação do apple watch como uma tecnologia com alto potencial disruptivo.

Apesar de juntamente ao anúncio, vir o alerta de que o aplicativo não tem a intenção de substituir métodos tradicionais de diagnóstico e tratamento. Quanto tempo vai levar para que isso realmente aconteça?

Vale no entanto lembrar que liberar o uso não significa aprovar o uso. Classificação esta destinada apenas para produtos tipo FDA classe III de alto risco e alto benefício como o marcapasso implantável, por exemplo. No caso do apple watch sua classificação foi de classe II.  Produto de baixo risco e considerado similar a um produto que  já tenha sido previamente regulamentado pelo FDA .

Apesar do inquestionável benefício das possibilidades desse lançamento. Existe uma grande preocupação em relação a enorme quantidade de falso positivos para doenças inexistentes que podem resultar em comportamento alarmante e desnecessário da população ao procurar médicos e emergências. Estes locais já tradicionalmente amontoadas por pacientes com necessidades reais.

2. Wearables na Medicina

Em uma pesquisa recente realizada pela Beecham Research e o Grupo Wearable Technologies, o novo cenário para as tecnologias de wearables apresenta um rápido desenvolvimento. O estudo foi baseado em sete setores-chave: Encantamento(glamour), Comunicação, Estilo de Vida, Esporte/Vida Saudável, Bem Estar, Medicina, Segurança e Operação de Negócios.  Como podemos verificar na imagem logo abaixo.

O estudo é bem abrangente em relação as possíveis aplicações, funções e produtos para cada tipo de categoria que já está em atividade ou surgirá em um futuro próximo.

Em específico para o setor médico, algumas aplicações possíveis são o monitoramento e responsividade de sinais vitais para pacientes a distância, implantes “in vivo” para o controle e gerenciamento de doenças crônicas (como o diabetis por exemplo),  reconhecimento de atividade cerebral e movimento ocular para melhora dos sentidos como a visão e audição, controle de equipamentos e próteses exoesqueléticas para amputados ou mesmo comunicação não verbal entre pessoas e/ou máquinas.

Os wearables passam a ser uma fonte de dados e interface entre corpo e máquina. Ao utilizar a associação com outras tecnologias exponenciais como inteligência artificial, blockchain, internet das coisas vai ser uma peça importante no avanço da medicina que conhecemos hoje.

Equipamentos antes exclusivos para uso intra-hospitalares como oxímetros, capnógrafos, eletrocardiogramas e eletroencefalogramas passam a ter versões domiciliares integradas. Como faixas na cabeça para detecção de lesões cerebrais, pulseiras para monitorar o oxigênio do sangue, patches e tatuagens com sensores cutâneos para monitorar sinais vitais e até mesmo lentes de contato para monitorar o nível de açúcar no sangue.

Referências:

https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT03335800

https://www.theverge.com/2018/9/13/17855006/apple-watch-series-4-ekg-fda-approved-vs-cleared-meaning-safe

http://www.beechamresearch.com/article.aspx?id=20

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Documente histórias que valham a pena compartilhar 🗒

Documente histórias que valham a pena compartilhar

1. Micro conteúdo

“Não importa o que você faça, seu trabalho é contar sua história.” – Gary Vaynerchuk

Uma das melhores maneiras de cativar a atenção de alguém é convidando-a ao seu mundo através de histórias.

Contudo, nem todo o mundo sabe como desenhar e organizar simples histórias.  As vezes estão até mais interessados em falar sobre si mesmos do que educar ou entreter a sua audiência.

Uma história pode ter diversos formatos, desde apenas uma imagem, uma sequência de imagens, narrativas, audio e vídeo. Hoje com as redes sociais e as plataformas, existem várias formas de contar histórias, todas elas com suas características nativas e linguagens próprias.

Os micro conteúdos particularmente, são formas elegantes e simples de contar partes de histórias que ao final de uma linha de raciocínio, convida o expectador a pensar e a participar do seu mundo. Ou seja, são pequenas amostras de um todo.

2. Tirinhas (Cartoon Strip)

“Grandes histórias acontecem para aqueles que podem contá-las”- Ira Glass

Sou fascinado pela capacidade dos cartunistas de tirinhas (strip cartoon) resumirem histórias inteiras em apenas três ou quatro quadrinhos. Usualmente encontramos uma estrutura que pode ser resumida em um convite a pensar 🤔, chamada de atenção para uma lógica no pensamento e uma conclusão.

Cada quadrinho isolado pode ter sua própria história individual se visto sozinho, e também, frequentemente pode até ser a única contada. Como faz parte de uma tirinha, se você acompanha as figuras acaba sendo uma sequência de pequenas histórias que vão envolvendo o leitor. Logo, quando juntas formam um todo até uma conclusão ou “moral da história”.

fonte: https://tirasarmandinho.tumblr.com/

fonte: https://i.pinimg.com/originals/ee/91/7c/ee917c5cce488c53f7440f864128495f.jpg

Você já parou para pensar em usar essa mesma lógica para contar as suas histórias nas redes sociais? Então, é como se você estivesse preparando a sua audiência com pequenas amostras de conhecimento para chegarem em um desfecho final ou na sua “moral da história”.

3. Nocaute

“Different platforms allow you to highlight different aspects of your brand identity, and each jab you make can tell a different part of your story… Micro-Content + Community Management = Effective Social Media Marketing” – Gary Vaynerchuk

Em seu livro “Jab Jab Jab Right Hook “Gary Vaynerchuk nos convida a criar diversos micro conteúdos que possam conversar entre si e assim abrir e preparar terreno para um pedido, venda ou conteúdo final. Portanto, a lógica é envolver, entreter e educar as pessoas com conteúdo relevante, na linguagem nativa das plataformas sociais que você escolher e assim poder contar histórias.

Esses conteúdos de preparação é o que ele chama de “Jabs” e o conteúdo principal ou de venda de “Right Hook”. É uma clara referência a uma luta de boxe quando você utiliza golpes mais fracos para preparar a entrada dos seus melhores socos e conseguir o Knockdown ou Knockout.

Um outro ponto que deve também ser profundamente analisado, além de desenvolver um ótimo conteúdo, é que ele deve ser otimizado para a plataforma ou para a forma como você pretende fazer a distribuição. Apesar de, o item mais importante da comunicação ser o conteúdo, o contexto é quem fornecesse a possibilidade da sua voz ser ouvida.

 4. Sobre o que vou falar?

Quando falo sobre conteúdo, a escolha mais lógica é falar sobre o que você tem paixão e para o público com quem você quer se relacionar. O objetivo não é inventar conteúdo, mas sim documentar o seu trabalho e compartilhar de uma forma que seja útil para alguém.

Agora somando tudo que nós conversamos, imagine se você criasse micro conteúdos como se fossem tirinhas de cartoon com três ou quatro quadrinhos, que isoladamente tem sua voz e quando colocados juntos contam uma única história. Cada quadrinho pode ter um objetivo de comunicação bem definido como na seguinte linha de raciocínio:

  1. Imagem – Um convite a pensar. Um alerta ou mesmo uma pergunta. Você já pensou sobre isso?
  2. Imagem – Um chamado. Se você quer saber mais sobre isso, preste atenção em mim.
  3. Imagem – Educação. Posso te ensinar um pouco sobre isso, e te ajudar a entender.
  4. Vídeo – Autoridade. Se você não conseguir sozinho, sou a pessoa mais indicada para ajudar você.

5.Aplicação prática

Como médico tento aplicar esse conceito para tentar entregar o melhor conteúdo possível aos meus pacientes, contando pequenas histórias e educando sobre como conseguir os resultados que eles desejam de uma forma segura e sensata. O objetivo é ajudar as pessoas através da educação, inspirar a mudança, fomentar o pensamento positivo e a ação.

Um exemplo real da aplicabilidade dessa estratégia é essa sequência recente de conteúdo veiculada na minha conta do Instagram (@dsdavidsena). Essa plataforma tem uma linguagem nativa que é feita através de imagens de alta qualidade, vídeos curtos (menores que 60 segundos), pouco conteúdo em texto e várias marcações com #(hashtags).

Cada imagem tem sua própria história individual sobre o tema envelhecimento e estruturação facial. Toda a lógica estratégica foi construída por engenharia reversa de como seria o vídeo final. Já que é normalmente o conteúdo mais relevante.

As imagens que antecedem a veiculação do vídeo são preparações e uma introdução ao assunto que é discutido ao longo da time line. O objetivo é envolver a audiência “documentando” como é feita uma avaliação facial. O porquê dessa informação ser importante, como melhorar os estigmas do envelhecimento e finalizando com um vídeo com uma visão geral sobre o assunto. Dessa forma, constrói-se autoridade sobre o tema que pode ser confirmada pelo currículo acadêmico do autor.

Fontes:

  1. Jab, Jab, Jab, Right Hook: How to Tell Your Story in a Noisy Social World Edición Kindle – Gary Vaynerchuk
  2. : https://tirasarmandinho.tumblr.com/
  3. https://i.pinimg.com/originals/ee/91/7c/ee917c5cce488c53f7440f864128495f.jpg
  4. Mendelson B, Wong C-H. Changes in the Facial Skeleton With Aging: Implications and Clinical Applications in Facial Rejuvenation. Aesthetic Plastic Surgery. 2012;36(4):753-760. :10.1007/s00266-012-9904-3.

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internet-das-coisas

O impacto da Internet das Coisas (IoT) 💡

O impacto da Internet das Coisas (IoT)

“A internet das coisas ” significa sensores conectados à Internet e se comportando de maneira semelhante à Internet. Fazendo conexões abertas e, para esta finalidade, compartilhando dados livremente e permitindo aplicações inesperadas para que os computadores possam entender o mundo à sua volta e se tornar o sistema nervoso da humanidade. . ”- Kevin Ashton, de ‘Making Sense of IoT’

#Passa a ser economicamente viável conectar as coisas

Você já se imaginou que ao chegar em casa, através do comando de voz do seu carro ou ao utilizar o seu celular. Você poderia  controlar remotamente a temperatura e as luzes da sua sala, escolher o programa de televisão ou a música ambiente. Ao  mesmo tempo em que desativa o alarme de segurança da garagem e liga o microondas com o jantar pré-cozido? Isso já é perfeitamente possível e faz parte do conceito de Internet das Coisas (IoT).

Com o aumento da capacidade de processamento dos hardwares e a queda dos preços dos diferentes tipos de sensores, nunca foi tão viável conectar diversos dispositivos entre si.

Em uma pesquisa realizada durante o Fórum Econômico Mundial de 2015 e descrita por Klaus Schwab em seu livro “A quarta revolução industrial” . Pelo menos 89% dos entrevistados disseram esperar que, por volta de 2025, aproximadamente 1 trilhão de sensores estarão conectados à internet. Isso irá criar uma enorme rede interconectada de coisas gerando uma grande quantidade de dados.

A proposta é que, boa parte dos objetos comuns como canecas, roupas, mesas, cadeiras, mochilas, mangueiras, copos, carros entre diversos outros itens, possam ser equipados com os mais diferentes sensores.

No setor de saúde não vai ser diferente. Já que, existem estudos bem sucedidos sobre o uso de sensores de monitoramento do comportamento e saúde animal. Estes,  foram capazes de aumentar o controle sobre a produtividade e sugerir melhores práticas de criação do gado, por exemplo.

Agora imagine essa mesma lógica para monitorar, diagnosticar e melhorar a saúde do ser humano. Segundo a Aruba Networks, mais da metade das empresas já adotam o IoT (internet of things), e em 2019 esse número deverá atingir 85%. Em uma série de entrevistas realizadas pela empresa em diversos países do mundo ficou claro que, seis entre dez organizações de saúde, já estão usando essa tecnologia com monitores de pacientes, dispositivos de raios-X e em alguns casos monitoramento remoto.

A Internet das Coisas (IoT) está fazendo uma revolução no setor de saúde. Cabe aos profissionais da área estarem preparados para mudanças constantes envolvendo sua aplicabilidade.

Como falamos anteriormente, a IoT é só uma das Tecnologias Exponenciais que podem ser utilizadas no dia a dia médico. Agora, vamos entender melhor como ela já está impactando a medicina.

# Internet das Coisas no setor de saúde

“Precisamos ser mais inteligentes em relação à inovação em hardware e software para obter o máximo de valor da emergente Internet das Coisas.” –Henry Samueli

A área de Business Intelligence, do serviço de pesquisa premium da Business Insider, prevê que a base de dispositivos de saúde de Internet das Coisas crescerá de 95 milhões em 2015 para 646 milhões em 2020.

Com a Internet das Coisas é possível aproximar muito mais os atendimentos remotos, relacionamento com o paciente, rapidez no diagnóstico, telessaúde e uma infinidade de funcionalidades.

No campo da telessaúde é a possibilidade de apresentar diagnósticos remotos em regiões rurais em que há a dificuldade de acesso. O Monitoramento Remoto do Paciente (RPM) com dispositivos, sensores e smartphones conectados permite a realização tanto de testes de rotina quanto de atendimentos em situações mais graves.

Kevin Ashton, que já citamos anteriormente, foi o primeiro a usar o termo IoT. Para ele, não é apenas uma forma de reunir dados, mas coletar novos fatos. Em organizações que adotam essas aplicações conseguimos ver claramente as mudanças apresentadas com a utilização de diversas aplicações de IoT.

Ashton acredita que ela tende a ser aberta, flexível e fácil de construir. É um espaço para novas oportunidades de crescimento. Porque as inovações raramente terminam com a IoT, elas apenas se renovam.

Um exemplo claro dessa aplicabilidade pode ser visto com o trabalho dos pesquisadores da UCLA. Com o objetivo de identificar diabéticos tipo 2 não diagnosticados. Para isso, usaram máquinas e dados de prontuários eletrônicos para apontar as pessoas que convivem com a doença sem saber.

Essa equipe de pesquisadores, liderada por Ariana Anderson e Mark Cohen, do Instituto Semel de Neurociência e Comportamento Humano da Universidade, desenvolveu uma ferramenta que extrai informações de todo histórico do paciente para apresentar um grau de precisão maior.

O resultado apontou que, se esse mesmo método fosse usado em todos países, seriam identificados mais de 400.000 pacientes. Logo, eles poderiam ter oportunidades de gerenciar melhor essas doenças crônicas.

Maior número de dados significa maiores cuidados à saúde dos pacientes. A Internet das Coisas está começando a transformar a forma como médicos e pacientes atuam no dia a dia. Os hospitais já usam leitos inteligentes, por exemplo. Eles se ajustam automaticamente ao ângulo e pressão para fornecer suporte adequado. Isso é uma aplicação real desta tecnologia.

Nesse cenário, novos modelos de gestão de consultórios e hospitais serão criados. Médicos e pacientes poderão acompanhar o melhor tratamento e prevenção para diversas doenças com aplicações simples ou até mesmo complexas de IoT.

 

# A Internet das coisas no atendimento ao paciente

“Se você acha que a internet mudou sua vida, pense novamente. A IoT está prestes a mudar tudo de novo!” — Brendan O’Brien, Chief Architect & Co-Founder, Aria Systems

 

A Internet das Coisas nada mais é do que uma rede de objetos ligados a sensores com conectividade de rede que podem trocar dados pela internet. Qualquer dispositivo que esteja conectado e possa acessar outras funções representa essa tecnologia. Kevin Ashton, fundador da Auto-ID Center no Massachusetts Institute of Technology, foi o pioneiro tecnológico que cunhou a frase “Internet das Coisas” em 1999.

Com relação à área médica é possível ter toda a integração com seu consultório em uma tela de celular ou até mesmo em seu relógio inteligente (wearables) . Assim, você pode obter todas as informações do paciente acessando o seu prontuário eletrônico (EMR – Electronic Medical Record) não importando onde estiver, algo que já existe.

Esse mesmo EMR ainda pode receber dados de um monitor com controle de ritmo cardíaco em um marcapasso implantado com comunicação bluetooth. Ele alimenta uma base de dados na nuvem acessível ao médico. Tendo esses dados integrados em um só sistema, já conseguimos adequar a medicação ao paciente vendo seu estado atual de batimentos cardíacos e sinais vitais.

Pense que precisamos rastrear as seguintes informações de um grupo de pessoas: pressão, pulsação, período de sono, distância percorrida e uma série de etapas. Para isso, precisamos de um aplicativo que seja capaz de receber (input) essas informações, tornar possível a leitura desses dados, salvar os dados para análise, comparar com situações antigas e oferecer os melhores insights.

Mesmo que tenhamos todos esses itens é preciso que seja feita uma leitura precisa das informações e que haja uma conclusão dessa análise. Utiliza-se agora inteligência artificial e big data, assuntos que vamos discutir em um próximo artigo.

Você curtiu esse post sobre Internet das Coisas (IoT)? Então, conheça o evento que estamos desenvolvendo em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Instituto Do Cérebro do Rio Grande do Sul e o Parque Científico e Tecnológico da PUCRS.

O evento acontece dia 5 de outubro a partir das 13h no Teatro do Prédio 40 na PUCRS em Porto Alegre.
Clique na imagem abaixo e faça sua inscrição!

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avanços-tecnológicos-na-medicina

Avanços tecnológicos na medicina

Como a inteligência artificial é muito mais que uma revolução tecnológica para a medicina.

1. Quando as máquinas superam o homem

The real problem is not whether machines think but whether men do. – B. F. Skinner

Em 1985, enquanto Ayrton Senna conquistava sua primeira vitória na Fórmula I a bordo de sua lendária Lotus preta no GP de Portugal. O russo Garry Kasparov tornava-se o jogador mais novo a se tornar campeão mundial de xadrez, com apenas 22 anos.

Por isso, por muitos,  ele ainda é considerado até hoje o maior enxadrista de todos os tempos. No entanto, contrariando os que o comparam com o americano, posteriormente naturalizado islandês, Bobby Fischer.

Mas, o que é mais curioso na história de Kasparov é seu pioneirismo e disposição em jogar uma partida contra um computador.

Em 1997, o enxadrista russo perdeu a partida para o Deep Blue da IBM. Esse foi o momento em que os Estados Unidos conseguiu iniciar a maestria da demonstração de seu poder tecnológico sobre a Rússia.

A pergunta que surge é como Kasparov chegou nessa partida?

Tudo começou em 1996 quando, em uma primeira partida, o Deep Blue da IBM perdeu para Kasparov, por um placar final de 4 vitórias e 2 empates. O enxadrista se mostrava exemplar frente à máquina, mas convicto que ele provavelmente seria o último humano a ser capaz de vencer uma máquina. Logo,  prevendo a melhora de desempenho natural de novas versões.

Então, diante disso, o IBM trouxe uma versão mais atualizada do projeto Deep Blue que finalmente conseguiu derrotar Kasparov com um placar final de 3½–2½.

O mais interessante em relação ao confronto é que na primeira partida do segundo confronto, Kasparov foi vitorioso. Mas um movimento aleatório feito pelo Deep Blue na jogada 44 lhe chamou a atenção pela total falta de sentido. Ele tinha a capacidade mental de calcular pelo menos 15 movimentos a frente na partida.

Por isso, não viu nenhum sentido no movimento que mais se assemelhava a um movimento furtivo que estratégico, lembrando um comportamento humano. Logo, isso lhe provocou um certo desequilíbrio emocional no restante do match o que possivelmente acabou lhe roubando a vitória.

Logo após a derrota, Kasparov disse que observou criatividade e inteligência nos movimentos que a máquina realizou e sugeriu ter havido ação humana nos movimentos, o que seria contra as regras do desafio. A IBM negou a trapaça, o enxadrista derrotado pediu uma revanche, que foi recusada. Com ela, também, o Deep Blue foi aposentado.

Posteriormente acabou-se descobrindo que o tal movimento aleatório foi fruto de um “bug” na programação do software da IBM. Sem nenhuma relação com qualquer fraude como Kasparov havia relatado na época. Conforme descreve o documentário “The man vs The machine” de 2004(1).

O que essa história que ocorreu no fim do século XX, tem a ver com os avanços  de inteligência artificial na medicina?

 

Um artigo recente publicado pela Annals of Oncology, Holger Haenssle e colaboradores(2). Comparou o desempenho do diagnóstico de uma rede neural convolucional de aprendizagem profunda para reconhecimento de melanoma através de dermatoscopia, em relação a 58 dermatologistas.

A conclusão final do estudo mostrou que, pela primeira vez, o desempenho diagnóstico de redes neurais convolucionais de aprendizagem profunda (CNN) superou o desempenho de um grande grupo internacional formado pelos 58 dermatologistas.

O que deveria ser uma ótima notícia para toda a comunidade médica,  foi recebida com medo do desconhecido e com questionamentos sobre como isso poderia impactar negativamente a carreira médica.

Na realidade, não existe nenhum sentido ter medo da evolução tecnológica nos processos de diagnósticos e tratamentos da medicina. Principalmente, por achar que o espaço de atuação dos médicos vai ficar limitado ou poderá ser substituído.

A história já mostrou ao longo dos anos, que qualquer tipo de avanços tecnológicos que minimizem erros, sejam escaláveis e beneficiem a sociedade como um todo, vão invariavelmente serem adotados. E por consequência, alguns empregos relacionados a essa evolução serão diminuídos, modificados ou até mesmo extintos.

If everyone is moving forward together, then success takes care of itself. – Henry Ford

Quando Henry Ford implementou o sistema de linha montagem em série para automóveis. Ele   transformou todo o segmento de transportes e  foi o responsável pela aposentadoria de muitos cocheiros. Essa inovação fez com que as pessoas buscassem outras oportunidades e assumissem novas habilidades dentro do mercado.

Imagine nos dias de hoje. Será que você gostaria de estar utilizando uma charrete, porque alguém ficou preocupado com os empregos que seriam perdidos pelo impacto de sua ação? Creio que não, por isso Henry Ford estava certo ao iniciar uma série de mudanças.

Se você analisar mudanças anteriores a essa, quando Thomas Edison criou a primeira lâmpada elétrica. Houve toda uma adaptação da sociedade para suportar um sistema completo com distribuição de luz, incluindo motores, condutores subterrâneos, entre outros aparatos.

Se ele tivesse pensado que tiraria a funcionalidade da lamparina, o trabalho de quem vendia o óleo utilizado nela e as jornadas dos acendedores de lamparina noturnos, muitas coisas que temos hoje em dia não teriam sido desenvolvidas.

2. A tecnologia nos liberta do repetitivo para que possamos nos dedicar ao humano

Ao unir grandes avanços tecnológicos simples ou complexos podemos chegar a uma resposta fácil para a pergunta: será que as atuações dos médicos serão prejudicadas com os avanços tecnológicos ou esses avanços só nos beneficiam?

Em um recente artigo do The Washington Post entitutado “Forget ‘man vs. machine.’ When doctors compete with artificial intelligence, patients lose.”(3). Caroline Nelson, Carrie Kovarik e John Barbieri alertam que de nenhuma forma avanços tecnológicos como machine learning e inteligência artificial podem ser vistos como competidores dos médicos. Mas sim como ferramentas de trabalho para facilitar o processo de diagnóstico e tratamento.

Com certeza, você não consegue se imaginar voltando a noite do trabalho para casa andando de charrete com uma lamparina em mãos, correto? Os pioneiros dos séculos atrás foram essenciais para que os avanços tecnológicos fossem possíveis e assimilados nos dias de hoje.

As inovações tecnológicas utilizadas na medicina as quais chamamos de health tech, estão totalmente ligadas a melhores condições de diagnósticos e processos iniciais do contato com o paciente.

Technology is teaching us to be human again. – Simon Mainwaring

Eu como médico quero ter a certeza de poder contar com todos os recursos tecnológicos possíveis, a fim de minimizar minhas chances de erro e maximizar minha capacidade de oferecer o melhor tratamento para o meu paciente.

Nós devemos nos preocupar em buscar o melhor tratamento e as relações humanas, enquanto isso, a máquina se preocupa em oferecer a precisão no diagnóstico. Já, o nosso paciente pode ficar tranquilo, pois a união de duas frentes: homem e máquina, poderá trazer resultados ainda melhores.

O objetivo é que haja uma simbiose entre o trabalho diário médico com a máquina, nesse caso, podendo ser tanto computadores quanto gadgets, wearables, aplicativos e tantas outras inúmeras aplicações.

Toda disrupção gera algum tipo de desconforto para quem está na inércia do cotidiano. Não devemos ter medo dos avanços tecnológicos, pois vieram para mudar e melhorar a nossa vida, devemos abraçar cada oportunidade de melhora.

Nunca foi tão real os benefícios das tecnologias exponenciais para a medicina e o mundo.É primordial que médicos e pacientes se interessem em saber cada dia mais sobre os avanços em Health Tech para as mais diversas aplicabilidades das tecnologias exponenciais no nosso dia a dia.

3. Um mundo de possibilidades.

“Today, if you’re not disrupting yourself, someone else is; your fate is to be either the disrupter or the disrupted. There is no middle ground.” ― Salim IsmailExponential Organizations: Why new organizations are ten times better, faster, and cheaper than yours

No livro “Oportunidades Exponenciais”(4)Peter H. Diamandis desenvolveu um modelo chamado ” 6 Ds dos exponenciais” : digitalização, decepção (crescimentos disfarçado), disrupção, desmonetarização, desmaterialização e democratização.

https://more.su.org/10xgrowth

De acordo com essa visão , a inteligência artificial e machine learning na medicina estão hoje em um estágio de disrupção entrando no processo de desmonetarização e desmaterialização. Quando finalmente poderá ser considerado uma tecnologia democratizada.

Para ilustrar esse cenário vamos utilizar o estudo realizado com o software de diagnóstico para melanoma que discutimos nesse artigo.

Imagine se você quisesse avaliar uma mancha suspeita no seu corpo (necessidade) e pudesse utilizar  o seu próprio smartphone com câmera de alta resolução (desmaterialização)!! Depois disso você enviaria a foto por meio de um aplicativo hospedado na Apple ou Google Store (plataforma) e assim, utilizaria o poder de computação infinita (disrupção). Então, isto possibilitaria a análise em segundos dos dados e devolveria um provável diagnóstico com alta taxa de acurácia para qualquer pessoa leiga do mundo (democratização).

Quantos pacientes acometidos por melanoma poderiam ter seu tratamento precoce e se beneficiar da diminuição das taxas de metástases e evoluções desastrosas dessa doença tão grave.

Os médicos poderiam oferecer os melhores tratamentos de forma extremamente precoce e efetiva. A OMS(Organização Mundial de Saúde) desenvolveria campanhas mundiais estimulando que as pessoas realizassem seu auto exame. Com isso, uma grande base de dados mundial poderia determinar quais as regiões geográficas têm maior incidência de melanoma com altíssimo acurácia e quais políticas públicas poderiam ser implementadas.

Em suma, quantos milhões de dólares poderiam ser economizados em diagnóstico?Quantos poderiam ser reaproveitados para tratamentos e melhora de qualidade de vida das pessoas?

Se você entendeu meu ponto de vista me ajude a promover aceitação desse mundo novo onde os avanços tecnológicos vão mudar não só a medicina e nossa atividade como médicos. Mas a nossa vida como seres humanos e isso é Fantástico :).

 

Esse artigo é parte integrante do livro de autoria do Dr. David Sena. “O que médicos e empreendedores têm em comum” que está em processo de produção. O texto na íntegra pode ser conferido no Linkedin.

Referências:

1. “Signals: The Man vs. The Machine”. espn.go.com. ESPN. Retrieved 2014-10-24.
2. H A Haenssle, C Fink, R Schneiderbauer, F Toberer, T Buhl, A Blum, A Kalloo, A Ben Hadj Hassen, L Thomas, A Enk, L Uhlmann, Reader study level-I and level-II Groups; Man against machine: diagnostic performance of a deep learning convolutional neural network for dermoscopic melanoma recognition in comparison to 58 dermatologists, Annals of Oncologyhttps://doi.org/10.1093/annonc/mdy166
3. – https://www.washingtonpost.com/news/grade-point/wp/2018/06/12/forget-man-vs-machine-when-doctors-compete-with-artificial-intelligence-patients-lose/?noredirect=on&utm_term=.b4508d52f1c5
4. Diamandis, Peter H. Oportunidades exponenciais: um manual prático para transformar os maiores problemas do mundo nas maiores oportunidades de negócios… / Peter H Diamonds e Steven Kotler; tradução de Ivo Korytowski. – São Paulo: HSM do Brasil, 2016.

Você curtiu esse post sobre inteligência artificial? Então, conheça o evento que estamos desenvolvendo em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Instituto Do Cérebro do Rio Grande do Sul e o Parque Científico e Tecnológico da PUCRS.

O evento acontece dia 5 de outubro a partir das 13h no Teatro do Prédio 40 na PUCRS em Porto Alegre.
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checklist

Como um checklist pode mudar os seus resultados 📝

O que médicos e empreendedores podem aprender com rotinas de checagem simples?

No livro Checklist, Como fazer as coisas bem feitas (1). O médico Atul Gawande, conta a história de como as forças aliadas passaram a adotar o uso do Boeing B-17, ou “fortaleza voadora”, nas iniciativas da Segunda Guerra Mundial. E também como o emprego desse avião fez a diferença no resultado do conflito.

Em outubro de 1935, o major Ployer P. Hill decolou com o até então modelo Boeing 299. Sob o olhar de uma plateia de militares ansiosos por ver o colosso voador dominando o espaço aéreo. Com descrédito, o que eles presenciaram naquele dia foi um fracasso também colossal com a queda do avião, momentos depois de sua decolagem.

Mas como poderia um avião tão moderno, comandado por um piloto com experiência comprovada em combate. Não conseguir completar o seu voo inaugural em condições perfeitas de  equipamento, decolagem e clima?

Após analisar as causas da queda procurando as mais diversas formas de falhas possíveis. O relatório final revelou erro do piloto em não realizar as rotinas necessárias para um voo adequado e seguro. Então, a partir desse momento ficou claro a necessidade de assegurar que todas as rotinas cruciais a um voo eficaz fossem seguidas  para que erros como esse nunca mais ocorressem.

1. A simplicidade ante a complexidade

O grande desafio seria adaptar e criar rotinas que não dependessem de habilidades excepcionais e memória dos pilotos e que garantissem um voo seguro e eficaz.

Esse foi o ponto crucial para a adoção de uma rotina eficiente e simples ao mesmo tempo. A partir desse momento os pilotos foram orientados a utilizar checklists de condutas antes de cada voo.

Diferentemente do que você possa estar imaginando não era uma lista enorme de rotinas. Mas sim, checagens simples, que eram importantes demais para depender apenas da memória dos pilotos. Uma lista para verificações rápidas que coubessem em uma folha única e pudessem ser analisadas alguns segundos antes de momentos cruciais como decolagem, voo, aterrissagem e manobras em solo.

           “The definition of genius is taking the complex and making it simple.”― Albert Einstein

Apesar da grande complexidade de controlar um avião do porte do então desconhecido modelo 299. O checklist foi considerado o maior responsável por garantir o bom andamento. Pelo menos 3 milhões de quilômetros foram percorridos sem acidentes até ser considerado seguro para uso efetivo durante a Segunda Guerra Mundial.

Desde então, os voos civis também passaram a adotar os mesmos protocolos de segurança. O que preveniu certamente um grande número de acidentes.

2. O que os médicos podem aprender com aviação?

Assim como acontece na aviação, onde qualquer erro pode ser fatal. Utilizar um protocolo que minimize erros e que  tenha sua eficiência comprovada pode ser essencial para médicos e empreendedores.

Ainda no livro Checklist, Atul Gawande descreve como infecções em locais de implantação de cateteres venosos centrais eram frequentes em pacientes de unidades de terapia intensiva(UTI).

Após analisar esses dados o Dr Peter Pronovost percebeu que a maior parte das causas dessas infecções poderia ser evitada tomando cuidados simples e rotineiros de higiene. Assim, ele imaginou que se aplicasse um checklist rápido e simples assegurando que todos os passos de higiene e cuidados com a não contaminação fossem seguidos por todos os médicos, esse quadro de infecções recorrentes poderia ser mudado.

           “Those who don’t know history are doomed to repeat it.” ― Edmund Burke

Ao analisar o checklist proposto, percebe-se que são instruções óbvias e de uma certa forma desconfortantes para nós médicos. Porque dão a ideia de que vamos esquecer de lavar as mão e colocar as luvas, por exemplo.

São rotinas tão conhecidas ao procedimento como lavagem correta das mãos, vestimenta adequada, colocação dos campos cirúrgicos até a descrição do procedimento propriamente dito.

Durante o meu treinamento para cirurgião geral tive a oportunidade de inserir diversos cateteres venosos centrais. Eu me lembro que dentro dos kits existia uma pequena folha de papel com um checklist de aproximadamente cinco itens com figuras ilustrativas e uma espécie de passo a passo do procedimento.

Na época ficava imaginando se isso tinha realmente alguma validade.  Já que eu me sentia totalmente capacitado a fazer tudo o que tinha naquele papel, que mais parecia uma “listinha de padaria”. Para minha surpresa todas as vezes que ignorava a lista e fazia do meu jeito sempre pulava alguma etapa. O que na prática aumentava as chances de infecção no paciente.

Pronovost, já havia percebido esse tipo de situação há muito tempo antes de eu mesmo imaginar a possibilidade de ser médico. Quando em 2001 implantou essa rotina pela primeira vez no Hospital John Hopkin. Apesar do protocolo parecer simples, após um ano de aplicação do checklist houve uma queda significativa da incidência de infecções em cateter com permanência de 10 dias,  de 11% para zero.

Isso motivou Pronovost a estimular a adoção de checklist em outros hospitais dos EUA.  Em dezembro de 2006, escreveu um artigo completo no aclamado The New England Journal of Medicine(2) sobre os benefícios da chamada iniciativa Keystone. Nele, apontou queda nas taxas de infecção de até 66% nos primeiros três meses da adoção em hospitais participantes.

# Checklist para Empreendedores

Risk comes from not knowing what you’re doing. –   Warren Buffett

Durante o texto podemos perceber o claro benefício de adotar rotinas de checagem sistemáticas, simples e com aplicabilidade. Pilotos e médicos entenderam a importância de seguir checklists. Entretanto, os empreendedores entenderam esta importância?

Geoff Smart, autor do livro Quem?, em seu artigo “Management assessment methods in venture capital: An empirical analysis of human capital valuation”(3,4).  Analisou diversos investidores de capital de risco, como os investidores anjos por exemplo.

Ele percebeu que do ponto de vista dos investidores, existiam diversas formas de se avaliar um negócio e as pessoas que fazem parte desse negócio.

Smart classificou os investidores de diferentes formas de acordo com o seu comportamento frente ao processo de análise e escolha de em quê e quem investir.

Ele percebeu que dentre todos os investidores analisados havia um grupo que se destacava por apresentar melhores resultados. Em uma escala de até 80% de êxito de retorno sob o investimento em suas “apostas”. Esse grupo ele batizou de “comandantes de avião”. Porque utilizavam como rotina de avaliação uma  checklist de atributos que deveriam estar presentes para receber a oportunidade de investimento.

# O uso de checklists pode acabar com a criatividade?

Innovation is this amazing intersection between someone’s imagination and the reality in which they live. The problem is, many companies don’t have great imagination, but their view of reality tells them that it’s impossible to do what they imagine. – Ron Johnson

A grande verdade é que podemos não gostar de checklists. Eu achava desnecessário ter aquele papelzinho dentro do kit de cateter venoso central, ou ter que checar o nome , alergias e se a cirurgia estava correta antes de entrar no bloco cirúrgico, pois afinal era o meu paciente e eu sei quem são eles.

Contudo, a história e a ciência já mostraram para pilotos, médicos e empreendedores, que maior que o seu ego é a sua responsabilidade com seus passageiros, seus pacientes e seu dinheiro.

A verdade é que não temos o direito de brincar com a sorte por soberba ou preguiça de aplicar métodos simples e fáceis para obter melhores resultados. Se no passado pessoas extraordinárias e fora de série são as que se arriscavam a todo custo por ter o “dom” do desempenho. Hoje valoriza-se mais esses atributos para os momentos de criatividade, inovação e adaptação. Claro, depois que você já assegurou que rotinas importantes demais para serem esquecidas ou adaptadas já estão “seguras”. Eu não quero o meu piloto, médico ou meu gestor de finanças jogando “all win” com as minhas chances.

O objetivo dos checklists é exatamente libertar a mente do ordinário vital, para dar espaço de trabalho aos neurônios criarem o extraordinário exponencial. Grandes líderes sabem disso e adotam rotinas diárias na vida pessoal, no trabalho e nos negócios. Mesmo os mais excêntricos artistas e pensadores adotavam rotinas sistemáticas para poder libertar a mente para o criativo.

A lógica tanto no trabalho de médicos quanto no de empreendedores é inovar de forma simples através de soluções que já existem e se mostrem eficazes em outros segmentos.

Referências:
1. Livro: Checklist, Como fazer as coisas bem feitas, de Atul Gawande
2. Artigo no The New England Journal of Medicine: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/nejmoa061115
3. Geoff Smart, “ What makes a successful venture capitalist”(http://ghsmart.com/wp-content/uploads/2014/10/what_makes_a_vc.pdf)
4. Geoff Smart, em seu artigo “Management assessment methods in venture capital: An empirical analysis of human capital valuation”(http://ghsmart.com/wp-content/uploads/2014/10/methods_in_venture_capital.pdf)

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